Emily Greene Balch, Nobel da Paz, 1946

 Emily Greene Balch: uma vida inteira dedicada à paz

 


Olá a todas e todos, como vocês estão? Nós esperamos que estejam muito bem! Hoje nossa viagem no tempo nos levará para os Estados Unidos da América (EUA), para conhecer uma mulher que dedicou toda a sua vida para as causas humanitárias. Estamos falando da economista, socióloga, pacifista e feminista Emily Greene Balch! Apertem os cintos e vamos lá?!

Emily Greene Balch nasceu em 8 de janeiro de 1867, em um local que atualmente faz parte de Boston, nos Estados Unidos. Ela era filha de um casal que tinha uma vida próspera, sendo que seu pai era um advogado de sucesso. Desde criança, Emily recebeu uma educação privilegiada, estudando em escolas particulares, o que era incomum para a maioria das crianças na época, principalmente para as meninas. Mais adiante, ela se formou na primeira turma de graduação da Bryn Mawr College, em 1889, e, após isso estudou Sociologia entre os anos de 1889 e 1890 de maneira independente. Entre 1890 e 1891, recebeu uma bolsa de estudos e foi estudar Economia em Paris, e nessa mesma época Emily escreveu “Public Assistance of the Poor in France” (Assistência Pública aos Pobres na França, em tradução livre, 1893). Já tendo recebido uma formação muito privilegiada, Emily finalizou sua educação formal estudando também em Harvard e na Universidade de Chicago.

No século XIX, ter acesso à educação era algo muito restrito! Mas duas coisas tornavam ainda mais difícil estudar: ser mulher ou ser pobre (ou ambos). Emily era de uma família de classe mais alta que pode pagar por seus estudos, mas em uma época em que muitas instituições de ensino não aceitavam mulheres, imaginamos que não foi nada fácil para ela seguir com seus estudos. Mas e hoje em dia? As coisas estão diferentes? Podemos dizer que sim, mas com ressalvas. Atualmente não existem impedimentos formais na maioria das universidades para as mulheres que queiram estudar, contudo, ainda existem muitas questões sociais e preconceito de gênero que dificultam e afastam as mulheres da educação.

Emily Greene Balch - Fonte: United States Library of Congress; Licença: Domínio Público

Voltando à história! Depois de trabalhar na área da Economia em Berlim, no período de 1895 a 1896, Emily Greene Balch retornou aos Estados Unidos e se tornou professora de Economia e Sociologia do Wellesley College (essa instituição, que é voltada para as mulheres, tem como ex-alunas Pamela Melroy, Abigail Harrison e muitas outras mulheres com trajetórias incríveis, nas mais diversas áreas do conhecimento, vale a pena dar uma pesquisada!). Emily era considerada uma professora excepcional por muitos motivos, dentre os quais: o seu vasto conhecimento e experiência; a importância que ela dava para as classes sociais mais oprimidas; e a forma como incentivava suas e seus estudantes a buscarem o conhecimento de maneira autônoma.

Nessa mesma época em que dava aulas na universidade, Emily já era envolvida com organizações e movimentos sociais. Ela fez parte de conselhos municipais e estaduais, nos quais eram realizadas discussões sobre crianças e imigrantes, além de ter participado de movimentos sufragista (que foi um importante movimento feminista que lutou pelo direito das mulheres ao voto), pela justiça racial, contra o trabalho infantil, por melhores condições de trabalho, entre várias outras ações. Se Emily fosse nossa contemporânea (que sorte seria!), diríamos que ela era muito engajada com relação às pautas das minorias.

Vocês sabiam que algumas dessas mulheres magnificas que estamos contando as histórias aqui na série Mulheres do Nobel eram contemporâneas e conterrâneas entre si?! Que algumas delas se conheceram, trabalharam juntas e até eram familiares?! E um dos momentos em que as histórias de duas mulheres esplendidas se cruzam é agora: Emily Greene Balch, movida por seu interesse pelas causas sociais, trabalhou na Hull-House, ao lado de Jane Addams (lembram dela? Contamos a história da Jane, leia em https://meninasemulheresnascienciasufpr.blogspot.com/2020/08/jane-addams-nobel-da-paz-1931.html).

Outro ponto marcante na vida de Emily era a sua luta em favor das(os) imigrantes. Durante a realização do estudo sobre imigrantes eslavos nos Estados Unidos, que deu origem à sua obra “Our Slavic Fellow Citizens” (1910), Emily morou em diversos bairros com grande concentração de imigrantes eslavos, em diferentes cidades do país. Além disso, também visitou os países do leste europeu para se aprofundar no assunto.

Emily Greene Balch, desde cedo, esteve muito envolvida com questões humanitárias e chegou a participar de duas conferências que trataram sobre a paz, nos anos de 1899 e 1907 em Haia, na Holanda. Mas houve um acontecimento que fortaleceu sua luta e mudou o rumo da História da humanidade drasticamente: a Primeira Guerra Mundial. Após a eclosão da guerra (1914), Emily tornou-se determinada de que sua missão de vida era promover a luta pela paz e buscar o fim das guerras no mundo.

Após sua participação no Congresso Internacional de Mulheres (International Congress of Women) em Haia, no ano de 1915, Emily passou a se dedicar ainda mais na busca pela paz mundial e esteve envolvida em importantes acontecimentos e projetos. E mais uma vez sua história se cruza com a de Jane Addams: ambas, juntamente com outras mulheres, fundaram a Liga Internacional de Mulheres pela Paz e Liberdade (Women’s International League for Peace and Freedom, WILPF), que está em atividade até hoje!

Mas vocês acham que ela parou por aí? Emily era uma mulher determinada e completamente comprometida com a luta pela paz, tendo dedicado muitos esforços em busca do fim da Primeira Guerra Mundial. Fez propostas de paz às nações envolvidas na Primeira Guerra; visitou países escandinavos e a Rússia, na tentativa de incitar esses governos a fazerem mediação entre as partes em conflito; e também escreveu a obra “Women at The Hague: The International Congress of Women and Its Results” (Mulheres em Haia: O Congresso Internacional de Mulheres e seus Resultados, em tradução livre, 1915), juntamente com Jane Addams e Alice Hamilton. Além de muitas outras coisas!

De volta aos Estados Unidos, Emily manteve uma forte oposição à entrada dos EUA na Primeira Guerra Mundial e, por causa disso, ela foi dispensada da Wellesley College em 1918, onde era professora. Depois desse acontecimento, Emily participou novamente do Congresso Internacional de Mulheres, em 1919, e lá aceitou o convite de ser secretária da WILPF, permanecendo no cargo até 1922, quando precisou se afastar por motivos de saúde.

A vida de Emily foi atravessa por duas Guerras Mundiais, mas mesmo no período entre os conflitos, ela não parou! Continuou a lutar pela paz nos Estados Unidos, em conselhos, organizações internacionais e muitos outros locais. Um exemplo que podemos citar é sua participação, direta ou indiretamente, em diversos projetos da União das Nações Unidas (ONU), por exemplo, com relação ao desarmamento.

Emily Greene Balch - Fonte: Wikimedia Commons; Licença: Domínio Público

Em 1926, ela fez parte de uma comissão do governo estadunidense, organizada para ir ao Haiti estudar as condições humanitárias do país. A partir desse estudo, foi publicado o relatório “Occupied Haiti” (1927), no qual Emily foi a principal autora.

Já na década de 1930, Emily Greene Balch se dedicou a ajudar as vítimas da perseguição nazista. O contato com a crueldade do nazismo foi algo tão determinante para ela, que fez com que se engajasse ativamente na defesa dos direitos humanos, principalmente no período da Segunda Guerra Mundial.

Ainda nessa época, em 1934, a WILPF passou por dificuldades financeiras e Emily tornou-se secretária internacional da Liga, sem receber salário, permanecendo no cargo por pouco mais de um ano. Foi então que, em 1936, Emily Greene Balch foi eleita presidente honorária internacional da WILPF.

Emily Greene Balch dedicou toda a sua vida à luta pela paz e às causas humanitárias, se posicionou fortemente contra as guerras, exigiu que governos intervissem em favor da paz, lutou contra o fascismo e o nazismo, foi a favor do desarmamento, lutou pelas crianças, pelas e pelos imigrantes e pelas mulheres, permanecendo associada à WILPF mesmo quando já estava com a saúde debilitada.

Então, no ano de 1946, Emily Greene Balch recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho de toda a sua vida de dedicação à paz e às questões humanitárias.

Mas isso não é tudo, pessoal! Quando achamos que as ações dela não podem se tornar mais emocionantes, nos surpreendemos de novo: Emily doou todo o valor do Prêmio Nobel à Liga Internacional de Mulheres pela Paz e Liberdade! E permaneceu associada à Liga e participando de eventos mesmo com a idade avançada e com a saúde frágil.

Emily faleceu aos 94 anos, em 1961, nos Estados Unidos. Mas deixou muitos manuscritos e uma história instigadora de luta pela paz, pelos direitos das minorias e por um mundo mais justo, que nos inspira muito e que esperamos que inspire vocês também!

 

Abraços apertados à distância, cuidem-se e até a próxima!

 

Por Gabriela Ferreira e Glaucia Pantano

 

Algumas curiosidades sobre Emily Greene Balch

Emily gostava muito de arte. Ela pintava e também publicou o livro de versos “The Miracle of Living” (O Milagre de Viver, em tradução livre).

Emily fez parte do comitê que organizou a comemoração do centenário do nascimento de Jane Addams, em 1951, sua parceira na WILPF e também vencedora do Nobel da Paz (1931).

 

Um pouco mais sobre Emily Greene Balch

ALONSO, Harriet Hyman. Nobel Peace Laureates, Jane Addams and Emily Greene Balch: Two Women of the Women's International League for Peace and Freedom. Journal of Women's History, v. 7, n. 2, p. 6-26, 1995. Disponível em: <https://muse.jhu.edu/article/363613/pdf>. Acesso em: 18 set. 20.

GWINN, Kristen E. Emily Greene Balch: The Long Road to Internationalism. 1. ed. University of Illinois Press, 2010.

MISZTAL, Barbara A. A Nobel Trinity: Jane Addams, Emily Greene Balch and Alva Myrdal. Am Soc, n. 40, p. 332-353, 2009. Disponível em: <https://link.springer.com/content/pdf/10.1007/s12108-009-9081-2.pdf>. Acesso em: 18 set. 20.

WHIPPS, Judy D. The Feminist Pacifism of Emily Greene Balch, Nobel Peace Laureate. NWSA Journal, v. 18, n. 3, p. 122-132, 2006.

 

Referências

ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA. Emily Greene Balch, 2020. Disponível em: <https://www.britannica.com/biography/Emily-Greene-Balch>. Acesso em: 18 set. 20.

HISTORY. Women’s International League for Peace & Freedom, c2018. Disponível em: <https://www.wilpf.org/history/>. Acesso em: 18 set. 20.

THE NOBEL PRIZE. Emily Greene Balch Biographical, c2020. Disponível em: <https://www.nobelprize.org/prizes/peace/1946/balch/biographical/>. Acesso em: 18 set. 20.

THE NOBEL PRIZE. Emily Greene Balch Facts, c2020. Disponível em: <https://www.nobelprize.org/prizes/peace/1946/balch/facts/>. Acesso em: 18 set. 20.

 

 


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