Gabriela Mistral, Nobel de Literatura, 1945



Gabriela Mistral: A primeira mulher da América Latina a vencer o prêmio Nobel da Literatura


    Olá pessoal, vamos conhecer mais uma ganhadora do prêmio Nobel?


    No dia 7 de abril de 1889, na cidade de Vicuña- Chile, nasceu Lucila de María do Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga, mais conhecida pelo pseudônimo literário Gabriela Mistral. Ela foi criada desde a infância na região dos Andes, na vila de Montegrande. Sua mãe, Petronila Alcayaga, era costureira, seu pai, Juan Gerónimo e sua irmã mais velha, Emelina Molina, eram professores locais. Juan Gerónimo abandonou a família quando Mistral tinha ainda três anos, foi Emelina quem alfabetizou Gabriela. Seu pai era poeta amador, anos mais tarde, Mistral divulgaria que as poesias de Gerónimo foram as primeiras que leu na vida e despertaram nela sua paixão pela poesia. 

Gabriela Mistral em 1945
Fonte: Wikimedia Commons; Domínio Público.

    Gabriela foi uma poetisa, educadora, diplomata chilena e feminista, foi a primeira mulher da América Latina a vencer o Prêmio Nobel de Literatura (1945). Desde pequena Gabriela Mistral, demonstrou interesse pela escrita e pela docência.
    Em 1904 Mistral começou a trabalhar como professora de escola secundária e mais tarde como diretora. No ano de 1922, foi convidada para trabalhar no Ministério da Educação do México, tornando-se uma referência na pedagogia, elaborando as bases do sistema educacional mexicano, fundando escolas e organizando várias bibliotecas públicas no país latino-americano. 

Busto de Gabriela Mistral em Plaza de Armas de El Carmen
Fonte: Wikimedia Commons; Domínio Público

    A intelectual chilena corresponde à Geração Humanista que nasceu nas últimas duas décadas do século XIX, durante a Guerra Civil Espanhola, buscou ajudar crianças órfãs dessa guerra. A escritora defendia a democracia, os direitos humanos, as ideias de liberdade, igualdade e justiça social em todos os lugares. Em 1914, quando tinha 25 anos, ganhou um concurso de poesia nos Juegos Florales de Santiago, com “Sonetos de La Muerte”, começava a nascer “Gabriela Mistral”, nome criado em homenagem aos poetas que admirava o italiano Gabriele D’Annunzio e o francês Frédéric Mistral. Seus temas centrais são o amor pelos humildes, memórias pessoais dolorosas, as mágoas e um interesse mais amplo por toda a humanidade. Em 1922, publicou seu primeiro livro de poesias, “Desolación”, onde incluiu o poema “Dolor”, no qual fala do suicídio de seu namorado que ocorreu quando ela tinha 18 anos. Entre seus poemas destacam-se: Gotas de Fel, Dá-me Tua Mão e Eu Não Sinto a Solidão.
    Mistral desempenhou diversos cargos diplomáticos na Europa, Estados Unidos e América Latina. Em 1926 foi nomeada secretária do Instituto de Coperación Intelectual de la Sociedade de Naciones, no México. E ao mesmo tempo, foi redatora da revista de Bogotá “El Tiempo”. A educadora foi nomeada Consulesa do Chile e representou seu país em Nápoles, Madri, Lisboa e no Rio de Janeiro.

Gabriela Mistral 
Fonte: Wikimedia Commons; Domínio Público.


    Em 1945, Gabriela Mistral recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, se tornando o primeiro nome da América-Latina a vencer essa premiação, nessa época morava em Petrópolis- RJ. O Prêmio Nobel a transformou em figura de destaque na literatura internacional e a levou a viajar pelo mundo e representar seu país em comissões culturais das Nações Unidas. Quando Mistral veio morar no Brasil, fez amizade com Cecília Meireles e como fruto dessa amizade as escritoras publicaram juntas um livro de poemas. Em sua estadia pelo Brasil Mistral também escreveu para o Jornal do Brasil. 
    A intelectual chilena em toda sua trajetória defendia a leitura para todas as crianças, pois acreditava que a leitura tornaria as crianças autônomas de pensamento. Assim, a escritora preconizava que as crianças fossem cuidadas, protegidas e respeitadas, e a elas fosse possibilitado o acesso à leitura para que, a partir do conhecimento advindo dessas experiências, fossem capazes de se posicionar criticamente.
    Em 10 de janeiro de 1957, aos 67 anos, Mistral faleceu de câncer de pâncreas, e em seu testamento, determinou que todo o dinheiro arrecadado com as vendas de suas obras na América Latina seria destinado às crianças mais pobres de Montegrande – Chile, e o dinheiro das vendas no resto do mundo reverteria em benefício das crianças pobres do resto do país.


Curiosidade:

   Em homenagem a Gabriela Mistral diversos espaços públicos possuem seu nome, como monumentos, museus, bibliotecas, escolas em diferentes países latino americanos. No Brasil várias ruas e escolas possuem o nome Gabriela Mistral, como nas cidades de Curitiba-PR, Londrina-PR, Porto Alegre-RS, Rio de Janeiro-RJ, Recife-PE, São Paulo-SP, entre outras.


    Esperamos que tenham gostado do texto, até a próxima (:

Por Débora Santos e Anelize Bahniuk

Referências:

- FERREIRA, Rosangela; MICARELLO, Hilda. Gabriela Mistral e Cecília Meireles: projetos de leitura pública dedicada à criança. 37ª Reunião Nacional da Associação nacional de pós-graduação e Pesquisa em Educação. Florianópolis, 2015. p. 01-17. 
Disponível em:

- FRAZÃO, Dilma. Gabriela Mistral: Poetisa Chilena. Ebiografia. 6 abr. 2020.
Disponível em: https://www.ebiografia.com/gabriela_mistral/ Acesso em: 09 ago. 2020.

- Testamento Gabriela Mistral.
Disponível em:

- VASQUEZ, Carola. Gabriela mistral: das danças de roda de uma professora
E consulesa no brasil. 2014. 199 f. tese (Doutorado em Ciências Sociais na Educação). Universidade de Campinas, Campinas, 2014.

Pra saber mais:

-LOPEZ, Javier. Gabriela Mistral la maestra de escuela, Premio
Nobel de Literatura. RUDECOLOMBIA. Universidad Pedagógica y Tecnológica de Colombia.
Disponível em:

- MATTA, Lícia. Mulher-raça": a reprodução da nação em Gabriela Mistral. Revista Estudo Feministas. v.13, n.2, Florianópolis, 2005. 
Disponível em:

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