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MMC ENTREVISTA - Isabel Spitz
Isabel Spitz, da ChimicArte, uniu
suas duas paixões: química e arte
A partir de ações simples, Isabel
contribui para descomplicar a química.
Por Leandra Francischett
Cientista do Patrimônio, Maria Isabel Spitz Argolo é doutora
em Química e pesquisadora Pós-Doc do Grupo de Pesquisa em Macromoléculas e
Interfaces (GPMIn) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde desenvolve
pesquisa inovadora sobre hidrogéis de pectina cítrica para conservação e
restauro de bens culturais.
É fundadora e educadora da ChimicArte, empresa especializada
em Química aplicada à arte, conservação e restauro. Atualmente, cursa
Bacharelado em Museologia, no Centro Universitário Leonardo da Vinci, e integra
o projeto Meninas e Mulheres nas Ciências (MMC) da UFPR. Isabel também é agente
cultural, com foco em ciência aplicada ao patrimônio cultural, e química
associada da Associação de Restauradores e Conservadores de Bens Culturais
(ARCO.It).
Nascida em 26 de abril de 1988, Isabel é natural de Nova
Friburgo (RJ) e está em Curitiba há sete anos. Conta com Licenciatura em
Química pela UFF, mestrado em Química pela PUC/RJ, na área de físico-química, e
doutorado em Química na UFRJ, na área de química do estado sólido e química de
materiais.
A ChimicArte, sua empresa, já passou pelas regiões Nordeste,
Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Para marcar presença em todas as regiões
brasileiras, Isabel planeja atingir a região Norte ainda em 2026, o que ela
encara como um ótimo desafio.
Juntamente com Jessica Petri, é autora do livro “A
Conservação de Bens Culturais em Metal: uma perspectiva química”, lançado em
dezembro de 2025, no formato pocket ou livro de bolso. Empenhada na
organização de um novo livro, ela pretende manter o mesmo formato do primeiro e
criar uma coleção de livros de química para conservação.
Seu próximo projeto é oferecer as aulas da ChimicArte em
outros idiomas, pois há demanda. “Quero começar ainda este ano as aulas
gravadas em inglês e quero fortalecer a parceria com museus e demais
instituições, com projetos que visam a participação de mulheres, como é o MMC,
é a minha prioridade. No caminhar da ChimicArte, tivemos um professor homem. A
gente prioriza profissionais mulheres. Quero me envolver ainda mais nisso e
continuar realizando esse sonho que é ser essa mulher cientista que eu sonhava
desde menina”, comenta Isabel.
Confira a entrevista:
Em 2012, você recebeu o Prêmio Marie
Curie de Produções Científicas pelo trabalho Química e Arte. Como foi?
Esse trabalho foi sobre mapas conceituais, articulando a
questão química com a arte. Foi desenvolvido em algumas escolas, em decorrência
de uma pesquisa que eu fiz na minha monografia de final de curso, na
licenciatura em Química, orientada pela Prof. Mestra Lucidea Coutinho. Naquele
momento, eu tinha iniciado o mestrado em Engenharia Química, na UFF, o qual eu
não dei continuidade, porque eu sempre fui muito ligada à química e a área da
educação também, mas eu tentei essa engenharia, e a minha orientadora da
graduação falou para gente enviar esse trabalho. Foi um encontro de
pós-graduação e foi organizado pelos estudantes de pós-graduação da Química, da
Universidade Federal Fluminense. Na ocasião tinha esse prêmio. Na seção que eu
estava, o meu trabalho era o único da área de educação e foi o que ganhou o
prêmio. O prêmio era sobre química e arte, nessa relação de mapas
conceituais.
Você é a fundadora da ChimicArte.
Pode comentar um pouco?
A ChimicArte começou como um projeto educacional, então o
foco era totalmente em aulas de química para falar sobre arte, arte no sentido
de produzir obras de arte ou conservação, restauro, museologia. Com o tempo, a
gama de produtos, de trabalhos, foi aumentando. Hoje, a atuação da ChimicArte
não é só com o foco educacional, apesar de ser o principal, eu atuo também com
a questão da consultoria, seja fazendo análises científicas sob demandas de
instituições ou particulares, seja por meio de execução de projetos, via leis
de incentivo à cultura ou não. A gente tem uma série de atividades que são
feitas por meio da ChimicArte, que começou para eu mesma ministrar alguns
cursos e, na verdade, hoje eu trabalho em parceria com várias instituições e
vários profissionais na área de conservação, restauro e patrimônio de modo
geral.
Como a empresa surgiu?
A ChimicArte surgiu num momento muito interessante e
desafiador na minha vida. Eu estava no meio do doutorado, e naquele momento –
eu já até escrevi sobre isso numa publicação, que foi de um livro que a
professora Camila [Silveira] e o professor Roberto Dalmo organizaram,
“Química e arte para um ensino humanizado” – que eu falo justamente como a arte
apareceu na minha vida com a empresa. No meio do doutorado, eu gostava muito
dos experimentos que eu fazia, eu pensava em ser doutora, pesquisadora, professora,
concursada, era o que eu pensava, e fui vários anos me dedicando a isso. Só que
chegou um momento que eu não estava vendo mais sentido no que eu fazia. É como
que se o que eu fizesse não fosse suficiente para eu atingir as pessoas, não
chegava até as pessoas. Além disso, desde muito nova, eu estudava música, eu
fiz oboé, estudei teoria musical na minha cidade, Nova Friburgo, e existia um
lado meu que queria voltar para algo relacionado à arte, só que a minha cidade
na época não tinha museu, não que eu soubesse, ou não que eu tivesse acesso. Eu
fui para universidade e pude conhecer os espaços culturais, de museus, e aquilo
foi me encantando. Tive a monografia, que trouxe este contato da química com a
arte, falando sobre o restauro do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e como
ficou esse intervalo entre o mestrado e o doutorado e eu não consegui
orientação e vagas direcionadas para isso, eu fiquei com esse sonho
guardadinho, de trabalhar com arte. No meio do doutorado, chegou um ponto que
eu não conhecia mais seguir. E tive várias questões, até mesmo de ordem
psicológica, e fui buscar ajuda. Na terapia, era uma terapeuta junguiana,
trabalhava muito com arteterapia, e além da melhora que eu tive com a terapia e
com a medicação, que já fez obviamente eu voltar a lembrar do que eu gostava,
do que eu sentia, do que que eu queria e ficou guardadinho por muitos anos na
pós-graduação, ela uma vez me perguntou: ‘Eu só quero que você responda com uma
palavra: Do que você gosta?’. É muito difícil definir em uma palavra o que que
a gente gosta e eu respondi: ‘Arte’. E ela: ‘Então, mas pensando aqui, seu
trabalho, as atividades que você faz...’ Ela foi fazendo um apanhado e: ‘Onde
que isso está?’. E eu pensei: ‘Gente, se isso é tão importante para mim, por
que que eu deixei isso de lado?’. E aí comecei a resgatar isso, a estudar mais
sobre, a retomar as pesquisas da minha monografia, e, num dado momento, eu
procurei vagas sobre isso, de química, para trabalhar em museu, comecei a fazer
umas buscas assim, coisas que hoje a gente até acha na internet, mas na época,
2015, 2016, 2017, não se via tanto isso, a questão da química enquanto uma
ciência do patrimônio, uma ciência da conservação, e eu falei: ‘Será que isso
não existe? E se eu desse um curso sobre isso? E se eu desse uma aula sobre
isso? Se não tem em lugar nenhum’. Comecei a procurar na internet e não achei.
Se não tem, é porque ninguém criou um curso ainda. Claro que eu tinha visto
algumas referências, alguns profissionais que atuavam às vezes em empresas, em
universidades, que também discutiam esse tema, óbvio que eu não fui a primeira
pessoa a discutir isso no Brasil, mas não tinha uma empresa de cursos de
química para restauro assim tão bem estabelecida. Aí eu criei, primeiro na
ideia de um curso, que era química na autenticidade de obra de arte, fiz um
link de pagamento, fiz um CNPJ, tudo de madrugada, me deu como se fosse uma
catarse, e eu lancei, sem saber como seria. Não pensei: ‘Vou criar uma empresa
que vai durar X anos e que vai chegar onde está hoje, por exemplo’. Eu só criei
um link com inscrição para um curso, só que, em menos de 24 horas, as 25 vagas
acabaram. E era pago. Então falei: ‘Tem alguma coisa aí’. Aí eu comecei a ver
as possibilidades, de que não é só perícia, químicos podem atuar em várias áreas
do campo de conservação. Muitos anos se passaram, muita coisa aconteceu, mas
foi assim. Surgiu de uma busca com relação ao que eu gostava, um certo
sofrimento, uma depressão, um tratamento, e eu descobri que o que faltava na
minha vida era arte. Voltar a mexer com arte.
Falar em Química pode assustar,
porque muitas pessoas têm dificuldades nessa área. Como você procura “traduzir”
química para leigos?
Eu acredito que as pessoas que costumam ter dificuldades
nessa área por diversos motivos, mas acho que o principal é a carência que nós
temos de professores de química e de física, então muitas pessoas que não são
preparadas para serem professoras assumem essa função em escolas de uma forma
despreocupada e sem pensar numa aprendizagem significativa, contextualizada,
fazendo com que a química se torne algo detestável, como eu também acharia se
tivesse aula com essas pessoas. Outros aspectos que eu pontuo que são muito
importantes também, é que a química é muito simbólica, ela tem a sua
terminologia própria, ela tem símbolos, então, quando esta base não é bem
fundamentada, bem explicada, se torna difícil. Não é que ela seja mais difícil
que a física, que a história, que letras, mas ela tem uma linguagem específica
e, se você não tem essa base, se torna difícil. A forma que eu uso para tornar
essa química mais traduzida para leigos é sempre partir de exemplos do dia a
dia e sempre explicar do macro para o micro, pelo menos é a estratégia que eu
adoto. Eu não gosto de iniciar, por exemplo, uma aula sobre conservação de
documentos em papel, que eu vou falar sobre a degradação do papel, e começar a
falar: ‘o carbono tem a possibilidade de realizar X ligações’. Eu falo que é o
papel, aí a pessoa pensa no papel, que será que ele é feito? Ah, de celulose.
Da celulose eu vou esmiuçando, acho que é mais fácil atingir pelo menos o
público com o qual eu atuo, e eu acho que funciona bem, muitas vezes em sala de
aula em nível médio também.
Por que as pessoas não gostam do que
não entendem, concorda?
Sim, aí você já vai começar a falar do elétron. Do elétron,
para você mostrar o que que isso faz sentido na vida da pessoa, é muito
difícil. Eu acho mais fácil, até para mim, começar do problema, da questão, do
que que está acontecendo para gente acessar e, no final da aula, todo mundo
entendeu o que é elétron, o que é interação intermolecular, que também,
obviamente, é importante estudar.
Você tem artigos publicados
internacionalmente. Do que tratam?
Dois deles são vinculados à pesquisa que eu realizei no meu
doutorado. Foram pesquisas em colaboração com a Universidade Federal Fluminense
e UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro], onde eu fiz meu doutorado.
Naquele momento, eu sintetizava materiais a base de óxido de níquel para
diversas aplicações, então eu trabalhei mais com síntese e caracterização. E,
nesses artigos, eu discuto mais difratometria de raios X, espectrometria na
região do infravermelho, métodos de análise para identificação de materiais. No
outro artigo, mais recente, o nosso queridinho, foi resultado de uma pesquisa
na UFPR, onde estou finalizando minha pesquisa de pós-doutorado, no GPMIn,
supervisionado pela professora Doutora Izabel Vidotti. Nessa pesquisa, nós
desenvolvemos hidrogéis à base de pectina cítrica, que está presente em cascas
e bagaços de frutas, para fazer a higienização de obras de arte e documentos.
Os resultados que nós tivemos, mais significativos, foi na aplicação desses
hidrogéis numa obra da artista Tatiana Stropp, que há alguns anos mora em
Curitiba, mas ela é de São Paulo, inclusive ela está com exposição individual
acontecendo até março [de 2026], na galeria Ybakatu, no Batel. É uma exposição
individual. Essa obra da Tatiana, que estudamos para o artigo, era uma pintura
a óleo sobre alumínio escovado. Então, imagina, óleo em alumínio já é uma coisa
que a gente não consegue entender muito como são compatíveis. O trabalho da
Tatiana é incrível, foi muito desafiador, e nós conseguimos usar este gel,
desenvolvido na UFPR, com a participação também da Jessica Petri, que é
conservadora, restauradora, aqui em Curitiba, e faz parte da diretoria ARCO.It,
que é a Associação de Conservadores e Restauradores de Bens Culturais, sediada
aqui, mas que atende Brasil e exterior também. Eu também faço parte da
associação como química. Então, nós tivemos nesta pesquisa o GPMIn -a Jéssica,
que acabou entrando também no grupo de pesquisa - nós testamos os hidrogéis
desenvolvidos lá, de bagaço e casca de frutas cítricas purificados, após vários
procedimentos, para limpeza, tanto na questão da higienização superficial dessa
obra, dessa pintura a óleo, quanto na remoção de adesivos, que estavam no verso
da obra, redução de manchas de fungo. O hidrogel desenvolvido por nós atuou em
diversas ações de conservação nessa obra de arte sem causar dano e sem deixar
resíduo, que foi o que a gente conseguiu comprovar com as análises. Esse foi o
último artigo publicado. Vale lembrar que a pesquisa teve a participação de
diversos alunos e alunas: Hannah Sauer, Luciana Dall'Agnese, Raul Wunder,
Eduarda Azzolin, Rafael Nelis e Sofia de Morais.
O que seria a análise científica de
bens culturais?
Sempre que a gente produz material no laboratório, faz parte
dos procedimentos fazer a caracterização desse objeto. Quando a gente está
diante de um bem cultural, na verdade a gente já tem um problema, já tem um
objeto, a gente não está criando nada em laboratório, mas, muitas vezes, é
necessário fazer a análise da composição, seja a composição elementar, de algum
ponto específico daquela obra, seja análise molecular, seja análise estrutural
ou elas combinadas. A gente consegue fazer a análise de materiais em escultura,
seja de gesso, em ligas metálicas, estudo de composição em tintas,
identificação de aglutinantes nas tintas, identificação de pigmentos. Tem
diversas aplicações. Diferenciação de vernizes, verificar o processo de
oxidação, de envelhecimento de materiais, tudo isso por meio das análises.
Hoje, existe um termo para isso, que é a arqueometria, e tem justamente o uso
dessas análises para o estudo de bens culturais.
Qual a sua pesquisa no
pós-doutorado?
Na UFPR, no GPMIn, já existe uma linha de pesquisa sobre
polissacarídeos e já era utilizada a pectina cítrica no laboratório para outras
aplicações. O meu projeto em específico, que eu estou coordenando há alguns
anos, é o uso de hidrogéis para conservação e restauro de bens culturais, esse
é o meu projeto atualmente na UFPR, no qual temos alunos e alunas de iniciação
científica e temos a colaboração da Jéssica. Aproveito para complementar também
que a ChimicArte é uma empresa que estabeleceu uma colaboração técnica com a
UFPR, então, mesmo encerrado o vínculo de pós-doc, nós vamos continuar
realizando atividades em parceria, justamente pelo potencial de inovação desses
hidrogéis.
E quanto ao projeto Química no
Museu?
Esse projeto já se encerrou, foi realizado com o Museu da
História da Medicina do Paraná, durante um ano. Nós recebemos essa demanda,
porque eles precisavam de capacitação para os profissionais do museu com
relação à conservação, desenvolvimento de material instrucional, para ficar no
acervo do museu e para ser distribuído, realização de oficinas para o público
em geral. O projeto Química no Museu foi desenvolvido em parceria com o MMC
[Meninas e Mulheres nas Ciências] também. A professora Doutora Camila [Silveira] fez essa mediação, fez o prefácio do e-book, resultante desse
projeto. Todo mundo que visita agora o Museu da Medicina do Paraná, que fica na
Santa Casa de Misericórdia, provavelmente vai se deparar com um QR Code, que
fica na entrada, e consegue acessar esse e-book, que também fica disponível no
link da descrição do perfil da ChimicArte [linktr.ee/chimicarte]. A publicação
é gratuita e fala de todo o decorrer desse projeto, que desenvolveu diversas
atividades, inclusive aula na UFPR, o Laboratório de Química Geral. A
especialista Hélia Braholka, co-autora do ebook, também participou pelo MMC
naquele momento na exposição sobre a dra. Maria Falce de Macedo e a ChimicArte
também foi instituição apoiadora dessa exposição, promovida pelo MMC.
Como você avalia o potencial dos
museus como divulgadores científicos?
Muitas pessoas consideram museu como lugar de falar de coisa
antiga, e, na verdade, o museu é algo muito vivo. Nada mais justo do que falar
de ciência num lugar tão vivo, que mostra as transformações, sejam elas
tecnológicas, as transformações da sociedade. As próprias definições de museus
mais atuais já podem explicar melhor isso. O museu é por si só um espaço de
discussão de ciência também.
Você lançou a apostila “Conservação
e Restauro: uma abordagem científica pelo viés da Química”, juntamente com
Jéssica Petri. Como funciona esta parceria?
Periodicamente são lançados alguns editais pela Prefeitura
Municipal de Curitiba, ou mesmo pelo Governo do Estado do Paraná, nós
concorremos e um deles foi sobre esse projeto “Conservação e Restauro: uma
abordagem científica pelo viés da Química”. Nesses projetos nós prevemos
algumas ações. A ação principal era o curso gratuito, que foi realizado na Casa
da Memória, no Centro de Curitiba, mas, como contrapartida social, nós
disponibilizamos uma apostila sobre conservação voltada mais para conservação
de obras em papel, que foi o foco principal desse projeto. As pessoas que
fizeram o curso levaram cédulas, documentos da família, fotografias cujo
suporte era papel, e esses resultados e toda a nossa pesquisa conseguimos unir
num documento, que é essa apostila, que também é gratuita, por ser uma
contrapartida social num projeto via lei de incentivo à cultura/Fundação
Cultural de Curitiba. O último que nós realizamos é o livro “A Conservação de
Bens Culturais em Metal: uma perspectiva química”, que é o nosso primeiro livro
impresso a partir desses projetos, que foi via lei Aldir Blanc/Fundação
Cultural de Curitiba. Eu e a Jéssica nos alinhamos bem, então sempre que tem
química e conservação, tem o meu olhar da química e o olhar dela de conservação
e a gente tem feito esses projetos juntas, claro, com outras parceiras também,
mas esses via lei de incentivo todos eu realizei com ela.
Qual a sua ocupação atualmente?
Eu sou a líder da ChimicArte, minha empresa é sediada em
Curitiba, na qual exerço a função não só como diretora, mas também de docente
de grande parte dos cursos, principalmente na parte de química. Para as demais
funções, eu contrato outros profissionais de outras áreas. E estou terminando o
meu vínculo de pós-doc no GPMin, da UFPR, no qual eu faço a pesquisa há
praticamente quatro anos de forma voluntária. Estou cursando uma segunda
graduação, em Museologia, e estou realizando formação em Canto Popular no
Conservatório de MPB de Curitiba.
São quantos anos de carreira?
Se for considerar formada em química são 15 anos, mas se
considerar que desde o terceiro semestre da faculdade eu já era monitora na
universidade, já era monitora em escolas, já fazia iniciação científica, são 18
anos.
Quais os seus principais trabalhos
até o momento?
O projeto do Museu da Medicina foi o primeiro que teve uma
repercussão maior, a gente teve um alcance muito grande, não só com as ações em
si, mas com o legado que ficou. A aula inaugural do curso que a gente ministrou
está disponível na internet, as pessoas acessam, entram em contato. O e-book
continua disponível. Foi ali que eu conheci diversas pessoas da área da
museologia, da conservação, foi um primeiro grande momento bem importante em
termos de execução de projetos. E eu tenho um carinho muito importante pelo
projeto do livro, porque eu sempre quis escrever um livro e esse é o primeiro
impresso, teve sessão de autógrafos, é um livro gratuito, como é um projeto via
lei de incentivo à cultura, também via Lei Aldir Blanc, com apoio da Prefeitura
de Curitiba e a Fundação Cultural de Curitiba, poderia ter um valor simbólico
ou gratuito, nós optamos para que fosse gratuito. Foram 500 cópias, que estão
sendo destinadas a diversos museus, bibliotecas e profissionais da área. Ainda
estamos distribuindo. É um marco muito importante porque é a primeira
publicação, em forma de livro, de química para conservação de metal no Brasil
com esse enfoque e, principalmente, gratuito. É a maior realização, por isso, é
um sonho realizado.
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